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Equipe multidisciplinar leva saúde mental às empresas do ABC e defende mudança de cultura na gestão de pessoas​
Parceria entre cooperativa nacional e Neuro Alma oferece plano de gerenciamento de riscos psicossociais, com foco em técnicos de segurança como “amigos do colaborador” e na formação de lideranças menos tóxicas nas indústrias da região
Por Elias Lubaque
Publicado em 02/02/2026 16:19 • Atualizado 02/02/2026 16:22
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A nova versão da NR-1 obriga as empresas a identificar e avaliar os riscos ocupacionais

Ouça a entrevista com o jornalista Wallace Quaresma e texto do jornalista Elias Lubaque 

Uma cooperativa nacional com base no ABCDMRR fechou parceria estratégica com a clínica Neuro Alma para implementar um plano de gerenciamento de riscos psicossociais em empresas da região e de todo o país, integrando segurança do trabalho e cuidado com a saúde mental de trabalhadores e lideranças. A proposta é ir além do cumprimento formal da NR 1, oferecendo avaliação, implementação, cronograma de ações e acompanhamento contínuo por uma equipe multidisciplinar que reúne engenheiro de segurança, contabilista, psicólogas e especialista em gestão ambiental e de processos. ​

Segundo o ex-secretário do Meio Ambiente de Diadema, André Luiz, representante da cooperativa, o atendimento não terá barreiras geográficas, embora o foco inicial esteja no ABC por questões logísticas. A equipe é coordenada pelo engenheiro de segurança do trabalho, Endrigo Dalla Riva e conta ainda com o contador Alexandre Salles, da Salles Assessoria Contábil, duas psicólogas: a terapeuta integrativa, psicanalista clínica e especialista em NR-1, Dra. Débora Grecchi e a psicanalista, Dra. Marta Bezerra e o próprio André na gestão, com o objetivo de entregar um “pacote completo” de diagnóstico, implantação e monitoramento, com o diferencial de uma visão integrada psicossocial.​

Um dos pilares do trabalho é ressignificar o papel do técnico e do engenheiro de segurança dentro das fábricas, aproximando-os dos colaboradores como referência de confiança e acolhimento. Endrigo Riva destaca que muitos funcionários ainda enxergam esses profissionais como “inimigos”, por cobrarem o uso de EPIs, mas que, na prática, devem atuar como “amigos do colaborador”, ouvindo queixas, percebendo alterações de comportamento e acionando apoio psicológico quando necessário para prevenir acidentes e adoecimentos. ​

Para os especialistas, a sensibilidade da linha de frente é decisiva na identificação de casos em que o trabalhador recorre a álcool ou outras substâncias para suportar a jornada, o que impacta diretamente a segurança e a qualidade de vida. Alexandre Salles ressalta que o conhecimento transmitido nos laudos e treinamentos precisa chegar aos encarregados, para que tenham “termômetros” e parâmetros claros que os ajudem a perceber quedas de rendimento, mudanças de humor e sinais de que “aquele camarada precisa de ajuda”, mesmo quando o trabalhador não desabafa nem com a família. ​

A mudança de cultura também passa por repensar o papel do encarregado, que, na visão da equipe, não deve ser o “sargento que chicoteia”, mas um condutor que orienta, observa e cuida da sua “tribo” de funcionários. Essa liderança, precisa compreender que o cuidado psicossocial não é apenas uma demanda individual, mas parte de uma norma que prioriza o coletivo, exigindo protocolos claros de reconhecimento, encaminhamento e acompanhamento dos casos. ​

Um ponto sensível levantado na conversa é o impacto das lideranças tóxicas sobre o clima organizacional e a saúde mental dos times, inclusive com quadros de burnout partindo da alta gestão. Uma das profissionais relatou ter recomendado o afastamento temporário de uma dona de empresa, que acumulava anos de pressão e sintomas como alopecia, reorganizando a liderança e recorrendo a técnicas terapêuticas para reestruturar o ambiente de trabalho.​

Com a entrada em vigor das novas exigências da NR 1 e a perspectiva de multas e até interdição para quem não se adequar, a avaliação é de que os empresários terão de assumir de vez a responsabilidade sobre o tema. Endrigo lembra que, a partir do dia (26/01/2026), empresas que não tiverem plano de gerenciamento de riscos psicossociais poderão ser autuadas pelo Ministério do Trabalho, o que acelera a adoção de políticas estruturadas de prevenção.​

Além de protocolos formais, a equipe defende a criação ou fortalecimento de espaços de convivência, áreas de descanso e lazer dentro das empresas, como mesas de sinuca e ambientes de integração, previstos em norma a partir de determinado número de funcionários. Para os especialistas, esses locais de descontração na hora do almoço ou nos intervalos ajudam a aliviar a pressão, aproximar equipes e reforçar a mensagem de que cuidar da mente e da vida social do trabalhador é parte da estratégia de segurança e produtividade.

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